As Orfãs da Rainha

Descrição do Projeto

“AS ÓRFÃS DA RAINHA" é um projeto de longa-metragem que aborda a história do Brasil através do olhar feminino. Tal perspectiva singular teve como primeiro resultado o filme “Vinho de Rosas” cujo tema é a Inconfidência Mineira, abordada sob o ponto de vista da filha de Tiradentes (www.vinhoderosas.com).

A presente proposta enfoca outro momento importante da nossa história: a Visita do Santo Ofício ao Brasil. Pretende-se acompanhar, a partir da trajetória de três irmãs cristãs-novas, a atuação do braço inquisitorial português na colônia brasileira.

Fato histórico pouco conhecido e muito raro na nossa cinematografia, a Inquisição brasileira é um tema original e instigante. A criação do Santo Ofício português, o medo da Inquisição e a possibilidade de bons negócios no além-mar impulsionaram um contingente expressivo de cristãos-novos a migrar para o Brasil na segunda metade do século XVI. A mácula de sangue não era impedimento para obter sesmaria ou contratos econômicos. Até que, em 1591, é anunciada a Primeira Visitação do Santo Ofício em terras brasileiras; um exemplo eloqüente da marca espanhola de governar as colônias ibéricas. A origem cristã-nova volta a queimar como uma cicatriz reaberta.

No Brasil, o Visitador do Santo Ofício Heitor Furtado de Mendonça é recebido em grande pompa entre juramentos de fidelidade das autoridades coloniais. Faz ler e afixar o Edital de Fé, que instigava a denúncia e a confissão de heresias sabidas ou praticadas enumeradas pelo Monitório. Nele, despontavam os atos judaizantes, mas se faziam também presentes outros crimes considerados heréticos, bem como os de caráter moral e sexual assimilados por razões várias a erros de fé. Uma onda de denunciações varre a Bahia e Pernambuco.

O mais cruel do deletério era o sucesso das inquirições em minar as solidariedades, arruinando lealdades familiares, desfazendo amizades, rompendo laços de vizinhanças, afetos, paixões. Além de despertar rancores, reavivar velhas inimizades e atiçar velhas desavenças. Exatamente naquele século, a Rainha de Portugal enviara para o Brasil órfãs para casar. Como dote, as moças levavam para os futuros maridos a promessa de um cargo público na administração colonial portuguesa ou a oportunidade de bons contratos comerciais. Na realidade, povoar a América portuguesa era o motivo daqueles casamentos abençoados por Dona Catarina.

“AS ORFÃS DA RAINHA” parte da existência real das personagens, mas introduz elementos ficcionais. Insere - se, pois, no domínio da relação entre história e ficção que, embora fascinante, exige o cuidado de uma pesquisa aprofundada. A exemplo do “Vinho de Rosas”, o processo de preparação do filme inclui a realização de documentários, investigações histórica, iconográfica, de costumes e lingüística bem como uma oficina de elenco capaz de ampliar a chance do fazer cinematográfico. Dentro deste processo de trabalho, já foi realizado o documentário “A Santa Visitação”.

Categoria não muito representada no cinema brasileiro, o filme histórico pode se tornar um instrumento de conhecimento abrangente e inovador, capaz de tratar a memória do país de uma forma construtiva. E ainda, pode significar fonte de fruição cultural, ferramenta pedagógica e entretenimento de qualidade. Por conter tais características, o filme histórico tem atraído cada vez mais público, seja de interessados ou de especialistas.

Em síntese, “AS ÓRFÃS DA RAINHA” é principalmente um filme sobre a intolerância. Questão que, infelizmente, tem atravessado séculos.

Justificativa para apoio

O cinema brasileiro encontra-se, hoje, em fase de expansão quantitativa, de conquista de qualidade e abrangência temática. Entretanto, a relação entre Cinema e História ainda é pouco desenvolvida. Abordar fatos históricos através da imagem exige disposição para a pesquisa e a preocupação específica com detalhes estéticos. A formação da diretora Elza Cataldo fornece uma base propícia para o seu exercício.

Além disso, o filme histórico permite extrapolar a característica de entretenimento para atuar também na formação do cidadão. Reforçando a compreensão de que o cinema pode também ser um instrumento poderoso de cidadania e valorização da identidade de um país. Por outro lado, a abordagem feminina na área cinematográfica pode trazer um outro olhar e estimular novos caminhos de linguagem para o cinema brasileiro.

Sinopse

Mécia, Brites e Leonor são criadas sob a proteção da Rainha de Portugal após a morte dos pais nas fogueiras da Inquisição. Ao se tornarem adultas, são obrigadas a casar no Brasil como estratégia de povoação da colônia portuguesa. O jesuíta Fernão Cardim toma medidas rigorosas para que os matrimônios sejam realizados conforme as leis da santa igreja católica, mesmo em terras de pagãos. A origem cristã-nova passa despercebida dentro da diversidade dos habitantes do Novo Mundo. Entretanto, quando o Inquisidor chega ao Brasil as três irmãs são denunciadas por atos judaizantes. Acabam sendo julgadas junto com outras acusadas de heresia, feitiçaria, bigamia. No julgamento elas permanecem unidas diante de traições entre familiares, vizinhos, amigos. Mas o sentimento de fraternidade é colocado à prova diante da ameaça de punições severas. Heitor Furtado de Mendonça se excede nas suas funções inquisitoriais. Leonor pede a intervenção da Rainha.

Valores

Projeto aprovado pela ANCINE – Agência Nacional do Cinema
Valor autorizado para captação através da Lei 8.685/93 (Lei do Audiovisual): R$ 827.622,67.
Valor autorizado para captação através do art.1ºA Lei 8.685/93: R$ 413.811,34.
Total: R$ 1.241.434,00

Cotas de patrocínio e contrapartidas

Os valores aprovados para captação podem ser divididos em cotas de acordo com as possibilidades da empresa.

A empresa patrocinadora poderá ter como possibilidades de retorno do investimento, além das vantagens fiscais, inserção do seu nome nos seguintes espaços:
1. Créditos do filme;
2. Convites enviados para uma lista selecionada;
3. Cartazes a serem fixados nas salas de cinema, festivais, universidades, órgãos estatais, centros culturais e locais públicos;
4. Material enviado para a imprensa escrita e eletrônica;
5. Estandartes no local de lançamento do filme;
6. Fitas de VHS e DVD;
7. Site do filme na Internet;
8. Outros (casos específicos).

Direção e roteiro: Elza Cataldo

Formação em Cinematografia na Universidade de Nanterre, França. Doutora em Política Educacional pela Sorbonne, Paris. Pesquisadora do CNPq e INEP, professora da UFMG e PUC; entre 1978 e 1992. Exibidora cinematográfica em Belo Horizonte, de 1992 a 2006. Assistente de direção do filme de longa-metragem “Amor & Cia”, de Helvécio Ratton. Diretora e roteirista do documentário “O Tom de Adélia Prado”. Diretora, produtora e roteirista do filme de longa-metragem “Vinho de Rosas” (www.vinhoderosas.com), do documentário “A Santa Visitação” e do filme de curta-metragem “O Crime da Atriz”. Diretora da produtora Persona Filmes e da distribuidora Usina Digital. Coordenadora do Laboratório CINEPORT de Roteiros 2007.

Produção: Persona Filmes

Fone/fax: (55+31) 3547-3140
E-mail: filmes@personafilmes.com.br
Site: www.personafilmes.com.br
Avenida Picadilly 155, sala 205, Center V
Alphaville - Lagoa dos Ingleses
Nova Lima – MG
CEP 34.000-000

Fotos

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